terça-feira, 8 de julho de 2008

Somente amamos o que desconhecemos

"A única coisa que realmente temos são os nossos pensamentos e não os pensamentos dos outros.

A memória não se realiza no "tomar notas" num cadernos. Seu lugar é outro. Quem disse uma teoria da memória da forma mais curta é a minha querida Adélia Prado: " Aquilo que a memória ama fica eterno".

É o amor que eterniza o saber.

Estava errado o magnífico Leonardo Da Vinci  que disse que só podemos amar o que conhecemos. Dentre todos os milhões de objetos de conhecimento que me cercam, como escolher aquele que vou conhecer para depois amar? A busca seria infinita. A verdade é o oposto. Quando um objeto me fascina -  e é isso que caracteriza uma relação amorosa, o fascínio - então eu me debruço sobre ele para conhecê-lo. Não é por acidente que os escritores sagrados tenham usado o verbo "conhecer"  para se referir ao que acontece entre os amantes

O mestre não é aquele que anuncia saberes. é aquele que seduz os seus aprendizes para o fascínio do mundo.

Aprendemos porque queremos "fazer amor" com um objeto.  Um pianista aprende as dificuldades da técnica para fazer amor com o piano. Um enxadrista aprende as imensas estratégias e variações do jogo para fazer amor com o tabuleiro e as peças."

 

Rubem Alves


É a pura verdade. Quando achamos que conhecemos, perdemos o interesse.

Por isso o sexo diminui num casamento entre duas pessoas. A ânsia, a paixão, a vontade louca de fazer amor vai embora. Aí você começa a perceber como os defeitos da pessoa que você tanto desejava agora te irritam. Fazer amor vira uma tarefa trabalhosa.


Isso me assusta, porque sempre pensei num amor eterno, que tivesse uma chama que nunca se apagaria.


Pensando muito sobre o assunto no dia de hoje, acho que tudo é uma questão de foco. Não dá pra viver a vida focada em uma pessoa. Aliás, em nenhuma pessoa. O melhor foco seria Deus, algo que jamais conheceremos face-a-face aqui na terra. Assim a cenoura é posta diante do burro, que pensa que um dia vai alcançá-las, mas sua função é somente fazê-lo continuar a caminhar pela vida toda. Algo inatingível. Porque com certeza se o burro comer a cenoura, ele vai achar ela sem graça e vai querer comer algo que ele nunca comeu, como por exemplo, uma berinjela. E assim a estória vai se repetindo até ele comer todas as variedades de legumes e frutas existentes no mundo sem chegar a se saciar jamais!


Nesse círculo de significado pra minha existência, eu acabo me pegando sozinha, com meu coração palpitando freneticamente, batendo violentamente por um significado que ele ainda nao conhece. Ele clama por algo que deseja imensamente amar e se entregar. Por que ele não me dá sossego? 


Talvez porque chegou a hora de ser mãe. Acho que só assim vou acalmar essa minha existência medíocre e sem sentido. Acho as mulheres mais afortunadas do que os homens. Pelo menos temos uma função pré-definida pra nossa existência: ser mãe.

3 comentários:

Anônimo disse...

Somente amamos o que desconhecemos é muito relativo!!!

DEDEA disse...

É verdade... é muito relativo. Mas eu escreví o que eu tava sentindo nesse dia. Nao tome o que eu escrevo como uma verdade absoluta. Escrevo como forma de reflexão, posso estar errada na maioria dos meus textos. :-)

DEDEA disse...

Fazendo uma reflexão melhor. Amamos ambas as coisas. O que desconhecemos porque é uma aventura maravilhosa pisar em terreno inabitado, pra explorar, e ter novas experiências. Nesse aspécto, amamos sim o que desconhecemos. Só amamos o que conhecemos quando realmente conhecemos bem. É como assistir um filme. No fim vc vai gostar dele ou não. Qdo realmente se conhece, nosso coração vai decidir no final se amamos ou não o objeto conhecido. Enfim.. o que importa nao é o destino final, mas a jornada.