De repente eu estava diante do cavalo mais lindo e mais selvagem que eu nunca poderia ter imaginado um dia encontrar. Ele saiu dos meus sonhos direto pra minha vida. Eu estava em êxtase!
Devagar, pra não assustá-lo, me aproximava, por entre as moitas e árvores, pisando devagar sobre as folhas secas pra não fazer muito barulho. Quase não podia conter minha alegria. Então eu estava lá, naquele lugar abençoado, todos os dias. Só o fato de poder vê-lo, fazia com que meu coração batesse forte dentro do peito. Sabia que seria pra sempre.
Mas como fazer com que ele não tivesse medo de mim? Talvez medo iria embora se ele se acostumasse com minha presença. Então fiquei alí, por muitos anos, esperando pacientemente que ele viesse até mim. Por muitas vezes achei que ele não viria, que tudo aquilo era somente invenção da minha cabeça. Talvez ele não gostasse de mim e nem me queria alí. Só o tempo iria dizer.
Se fosse só pra olhá-lo pelo resto da minha vida, já seria o suficiente pra mim. Saber que ele existia já era uma dádiva. De tanto observá-lo, passei a conhecê-lo. Sabia o que ele gostava de comer e quando estava triste ou alegre. Sabia onde bebia água e onde gostava de cavalgar nas planícies.
Um dia eu não pude mais ir ao lugar do nosso encontro. Os afazeres da vida me distraíram. Fiquei afastada por um longo tempo, mas nunca deixei de pensar em como ele estava. Aos poucos ele foi se transformando numa lembrança boa. Uma saudade que gostava de sentir, sempre acompanhada de um sorriso em meus lábios.
Foi quando acordei um dia, e ao abrir minha janela, do outro lado da cerca, há alguns metros de minha casa, ví sua figura poderosa e afoita. Ele veio me procurar! E quando nossos olhares se encontraram, ele fugiu pra dentro da floresta.
Corri como louca até nosso local de encontro. E lá estava ele, ofegante, me aguardando. Devagar estendí minha mão. Relutante ele se aproximou e cheirou meus dedos. Logo depois eu pude acariciar as suas longas crinas. Foi um momento que durou a eternidade.
Sem rédeas, sem sela, somente a pêlo, eu agarrava em suas crinas ele me levava pra cavalgar. Sentia o vento bater no meu rosto. Felicidade pura!
Sem medo de nunca mais voltar, ele me levou a lugares onde sempre sonhei em ir e me mostrou coisas lindas que nunca sonhei em ver.
Um comentário:
Essa estória é muito linda. E nos faz pensar como é o verdadeiro amor que chamam de incondicional. Não espera nada em troca e independe do sentimento do outro para existir. Deixa livre e sonha com a volta. Adorei!!!
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